Uma pesquisa recente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), em parceria com o Instituto Datafolha, revelou que 77% dos brasileiros que haviam utilizado medicamentos nos seis meses anteriores têm o hábito de se automedicar, sendo que quase metade deles (47%) faziam uso de medicamentos mensalmente e 25% diária ou semanalmente.
O estudo também destacou uma forma peculiar de automedicação com medicamentos prescritos, onde 57% dos entrevistados, especialmente homens (60%) e jovens de 16 a 24 anos (69%), modificam a dosagem por conta própria, muitas vezes justificada por efeitos adversos ou crença na estabilização da doença. A pesquisa alerta para o alto índice de dúvidas (22%) entre os entrevistados em relação a medicamentos prescritos, com cerca de um terço não buscando esclarecimentos, e destaca a importância do papel de um profissional da área da saúde na orientação, enfatizando a gravidade do uso irresponsável de medicamentos.
A facilidade de acesso ao medicamento foi um fator determinante, especialmente entre jovens de 16 a 24 anos (70%). Familiares, amigos e vizinhos (25%) foram citados como principais influenciadores na escolha de medicamentos sem prescrição, seguidos pelas próprias farmácias (21%). Esses são dados alarmantes uma vez que os medicamentos não são produtos comuns e seu uso inadequado representa riscos à saúde.
Neste artigo, abordaremos o uso de medicamentos, explorando suas classes, a necessidade de prescrição e destacando a importância de buscar orientação médica.
Medicamentos controlados
Algumas classes de medicamentos, como antibióticos, opioides e benzodiazepínicos, são consideradas controladas devido ao potencial de abuso e dependência. A prescrição dessas substâncias é rigorosamente controlada para garantir o uso adequado e minimizar os riscos associados.
A automedicação pode levar a efeitos colaterais graves, dependência e, em casos extremos, overdose. Portanto, buscar orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento com essas substâncias é fundamental para tratar as condições apresentadas ao invés de gerar novos problemas.
Medicamentos na saúde mental
A saúde mental é uma parte vital do nosso bem-estar global, e os medicamentos desempenham um papel importante no tratamento de diversas condições psiquiátricas. Porém, para fazer uso deles é indispensável procurar ajuda médica, para entender se o caso realmente precisa de auxílio da medicação.
Muitas pessoas fazem uso de remédios para ansiedade ou para insônia por influência de pessoas próximas sem uma orientação adequada, visto que cada indivíduo responde de uma maneira única a cada dose medicamentosa. Entre as classes mais comuns de medicamentos utilizadas nesse contexto estão os antidepressivos, ansiolíticos e estabilizadores de humor.
● Antidepressivos
Os antidepressivos são prescritos para tratar transtornos depressivos, ajudando a estabilizar os níveis de neurotransmissores no cérebro. Esses medicamentos geralmente levam algumas semanas para começar a fazer efeito, e é essencial seguir as instruções do médico para obter os melhores resultados.
Exemplos de antidepressivos incluem a fluoxetina, sertralina e venlafaxina. É fundamental ressaltar que o uso desses medicamentos deve ser estritamente supervisionado por um profissional de saúde.
● Ansiolíticos
Para aqueles que enfrentam problemas de ansiedade, os ansiolíticos são frequentemente prescritos. Esses medicamentos ajudam a reduzir a sensação de nervosismo e tensão, proporcionando alívio temporário dos sintomas ansiosos.
Benzodiazepínicos como diazepam e clonazepam são exemplos comuns de ansiolíticos. No entanto, devido ao risco de dependência, seu uso deve ser cuidadosamente monitorado por um profissional de saúde.
● Estabilizadores de humor
Os estabilizadores de humor são frequentemente utilizados no tratamento de transtorno bipolar. Medicamentos como o lítio ajudam a equilibrar os extremos de humor, controlando tanto os episódios maníacos quanto os depressivos. O uso desses medicamentos requer uma monitorização rigorosa dos níveis sanguíneos para garantir eficácia e evitar efeitos colaterais prejudiciais.
Uso indiscriminado de antibióticos
Como visto anteriormente, nem todos os medicamentos estão disponíveis sem receita médica. Algumas substâncias exigem uma prescrição para garantir seu uso seguro e adequado. Essa prática visa evitar complicações de saúde e garantir que os pacientes recebam o tratamento mais apropriado. O caso se torna ainda mais grave quando o paciente faz uso de antibióticos sem a orientação de um médico, o que pode tornar as bactérias resistentes aquela medicação.
Os antibióticos são medicamentos cruciais no combate a infecções bacterianas. Entretanto, seu uso inadequado pode levar ao desenvolvimento de resistência bacteriana. Portanto, é essencial seguir as orientações médicas e concluir o curso de tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam antes.
A automedicação com antibióticos é estritamente desencorajada, pois pode contribuir para o surgimento de cepas resistentes e prejudicar a eficácia desses medicamentos no futuro.
Classes de uso comum: orientações para o público
Além das classes de medicamentos específicas para a saúde mental e os antibióticos, existem aquelas comuns que muitas vezes são utilizadas para tratar condições mais generalizadas, sendo os principais fármacos utilizados na automedicação devido à facilidade no acesso.
● Analgésicos e anti-inflamatórios
Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios são categorias farmacológicas utilizadas para aliviar a dor e reduzir a inflamação no corpo. Os analgésicos têm como principal função o alívio da dor, enquanto os anti-inflamatórios visam reduzir a inflamação associada a diversas condições, como lesões, artrite, dores de garganta e outras doenças inflamatórias.
Ambos os tipos de medicamentos podem ser encontrados em diferentes formas, como comprimidos, cápsulas, cremes ou injetáveis, e são comumente utilizados para melhorar o conforto e a qualidade de vida dos pacientes, sob orientação médica. Contudo, é fundamental seguir as instruções de dosagem e consultar um profissional de saúde para garantir o uso seguro e eficaz desses medicamentos.
● Anti-hipertensivos
Medicamentos anti-hipertensivos são projetados para reduzir a pressão arterial em pessoas com hipertensão, uma condição caracterizada por níveis elevados de pressão sanguínea. Esses medicamentos atuam de diversas maneiras, como dilatando os vasos sanguíneos, reduzindo a quantidade de líquido no organismo ou diminuindo a força do batimento cardíaco.
Os anti-hipertensivos são prescritos para prevenir complicações associadas à pressão alta, como doenças cardíacas, derrames e problemas renais. O uso desses medicamentos deve ser supervisionado por um profissional de saúde, que determinará a classe específica de anti-hipertensivo e a dosagem adequada para cada paciente, visando controlar a pressão arterial de forma segura e eficaz.
A Importância de evitar a automedicação
Em um cenário onde a informação está facilmente acessível, é tentador recorrer à automedicação para aliviar sintomas leves. No entanto, é vital compreender os riscos associados a essa prática. A automedicação pode levar a complicações de saúde, interações medicamentosas indesejadas e até mesmo mascarar sintomas de condições mais sérias.
Ao sentir qualquer sintoma persistente, é importante procurar orientação médica. Os profissionais de saúde são treinados para avaliar adequadamente os sintomas, diagnosticar condições subjacentes e prescrever o tratamento mais adequado.
Desvendar o uso de medicamentos é essencial para garantir que eles sejam uma ferramenta eficaz na busca por saúde e bem-estar. Ao compreender as classes específicas, a necessidade de prescrição e a importância de evitar a automedicação, é possível tomar decisões informadas sobre a saúde.
Seja para tratar condições de saúde mental ou lidar com as doenças mais comuns, a consulta médica é o primeiro passo para garantir que os medicamentos sejam usados com segurança e eficácia.
A Healthink está aqui para te ajudar a cuidar da sua saúde, de seus familiares e de seus funcionários!
Referências
Conselho de Farmácia do Estado de São Paulo. Pesquisa aponta que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar. Disponível em: https://www.crfsp.org.br/noticias/10535-pesquisa-aponta-que-77-dos-brasileiros-t%C3%AAm-o-h%C3%A1bito-de-se-automedicar.html. Acesso em: 14/02/2024.
Ministério da Saúde. Cartilha para a promoção do uso racional de medicamentos. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_promocao_uso_racional_medicamentos.pdf. Acesso em:14/02/2024.