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Lombalgia pode afetar até 80% da população em algum momento da vida

Postado por Healthink  |  07/06/2024

A lombalgia é um problema comum, com uma incidência e prevalência crescentes nos últimos anos. Estudos específicos demonstram que episódios de dor lombar aguda afetam aproximadamente 80% da população em algum momento de suas vidas. É uma questão de saúde pública muito presente, sendo uma das principais reclamações médicas, ficando atrás apenas dos resfriados.

Embora a idade média de início da lombalgia seja por volta dos 35 anos, cerca de 25% das crianças apresentam dor nas costas durante a idade escolar. A condição afeta igualmente ambos os sexos, embora as mulheres costumam experimentá-la uma década mais tarde, em média.

O que é lombalgia?

A lombalgia, popularmente conhecida como dor nas costas, é definida como a sensação de dor ou rigidez na área da coluna vertebral, localizada acima das nádegas, podendo ser secundária ao uso excessivo da estrutura anatômica normal, a trauma ou a deformidades estruturais. Caracteriza-se por uma intolerância à atividade devido a dores na região lombar e, por vezes, nos membros inferiores. Pode ser classificada como aguda, subaguda ou crônica, dependendo principalmente da sua duração.

Fisiologicamente, a coluna vertebral possui curvas cervicais, dorsais e lombares quando em posição ereta. As curvas secundárias (cervical e lombar) são influenciadas pela espessura dos discos intervertebrais, que possuem um núcleo pulposo e um anel fibroso externo. O núcleo pulposo, rico em água, desempenha um papel importante na distribuição de forças e na absorção de impactos. Além dos ossos e dos discos, os músculos também interferem na postura e nos movimentos da coluna.

Fatores de risco associados à lombalgia

Os fatores de risco associados à lombalgia incluem os ocupacionais, mecânicos e psicológicos. As ocupacionais frequentemente envolvem trabalhos que exigem o levantamento de pesos acima da capacidade ou a adoção de posições inadequadas. Fatores mecânicos, como posturas estáticas no trabalho, vibração, tarefas repetitivas e longos períodos sentados na frente do computador, também são considerados de risco. Além disso, o tabagismo e a obesidade estão associados ao risco de desenvolver dor lombar.

As causas psicológicas desempenham um papel significativo na cronicidade da lombalgia e estão associadas a desordens psiquiátricas, como a depressão. Eles podem ser tanto consequência quanto preditores da lombalgia.

 

Principais causas da lombalgia

As principais causas da dor lombar incluem posturas inadequadas, aumento do peso corporal, como obesidade, gravidez e diástase abdominal, uso frequente de saltos altos, desequilíbrios musculares e fraqueza dos músculos que suportam a coluna e aumentam a tensão muscular na região lombar.

A fraqueza muscular, especialmente na região abdominal, e a falta de flexibilidade nas articulações da coluna e membros inferiores também estão entre as principais causas. No entanto, os fatores relacionados ao trabalho desempenham um papel determinante na incidência de lombalgias, com a má postura sendo um dos principais.

A postura de uma pessoa pode ser afetada por vários motivos diferentes, incluindo a contratura de estruturas de tecidos moles, a força muscular, a inclinação pélvica e a mobilidade da coluna vertebral. A dor lombar pode surgir após movimentos comuns, como espirros, exercícios, esforços intensos, traumas ou causas externas não relacionadas diretamente à coluna lombar.

Diagnóstico e tratamento

Na maioria das situações, mais de 90% delas, o diagnóstico e a causa podem ser identificados por meio de uma conversa aprofundada com o paciente e um exame físico cuidadoso. Se houver dúvidas, o próximo passo é a realização de uma radiografia simples, seguida de outros exames de imagem como ressonância magnética e tomografia, dependendo da orientação médica.

Analgésicos e anti-inflamatórios podem ser utilizados para aliviar a dor na crise aguda. Alguns tipos de sedativos também podem ser prescritos por médicos para ajudar o paciente a manter o repouso na cama. Uma alternativa é deitar de lado em posição fetal, com as pernas encolhidas. Durante uma crise aguda, a prática de exercícios é desaconselhada. Não são recomendadas técnicas como tração, manipulação, RPG, cinesioterapia, alongamento ou massagem.

Prevenção da Lombalgia

Múltiplos aspectos merecem atenção nesse contexto. A correção da postura, ao sentar durante o trabalho ou na escola é o primeiro passo. Incorporar exercícios físicos apropriados para quem tem histórico de lombalgia é importante para fortalecer a musculatura e evitar novas crises. Porém, quando se realiza atividades com pesos na academia, é essencial proteger a coluna, preferencialmente adotando uma posição deitada ou sentada com apoio nas costas.

Deve-se sempre evitar o carregamento de peso excessivo e evitar permanecer em posição curvada por longos períodos. Quando necessário se abaixar, dobrar os joelhos é preferível à flexão da coluna. A escolha de um colchão nem muito macio nem excessivamente duro, especialmente se a pessoa for magra, é uma consideração importante. Para obter informações adicionais, é aconselhável consultar um médico ortopedista que irá avaliar cada caso individualmente.

 

Trabalhos sedentários e a lombalgia

Um estudo publicado na revista The Lancet Rheumatology em 2023, indica que em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19 em que a grande maioria dos trabalhadores adotaram o home office a frente dos computadores, a dor lombar afetou 619 milhões de pessoas em todo o mundo.

Segundo o estudo, a dor lombar continua a ser a principal causa de anos vividos com incapacidade (YLDs) a nível mundial. Embora as taxas padronizadas por idade tenham diminuído modestamente nas últimas três décadas, prevê-se que, em 2050, mais de 800 milhões de pessoas no mundo terão dores lombares.

A lombalgia é uma condição do sistema musculoesquelético que afeta com frequência pessoas em idade produtiva e está associada a múltiplos fatores, muitos deles relacionados ao ambiente de trabalho. Isso tem um impacto significativo na sociedade e na economia, devido às abstenções no trabalho e os dias de incapacitação das pessoas que sofrem com a lombalgia. Portanto, a prevenção por meio de medidas como a ergonomia no trabalho e a prática de exercícios físicos continua sendo o melhor remédio para a dor nas costas.

A Healthink está aqui para te ajudar a cuidar da sua saúde, de seus familiares e de seus funcionários!

Referências

The Lancet Rheumatology. Global, regional, and national burden of low back pain, 1990–2020, its attributable risk factors, and projections to 2050: a systematic analysis of the Global Burden of Disease Study 2021. DOI:https://doi.org/10.1016/S2665-9913(23)00098-X.

Sociedade Brasileira de Reumatologia. Lombalgia. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/lombalgia/. Acesso em: 30/10/2023.

 

Biblioteca Virtual em Saúde. Ministério da Saúde. Lombalgia (dor nas costas). Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/lombalgia-dor-nas-costas/#:~:text=O%20que%20%C3%A9%20lombalgia%3F,ou%20%E2%80%9Cdor%20nos%20quartos%E2%80%9D. Acesso em: 30/10/2023.